Preço de celular com PIS e Confins zerados pelo governo vai mesmo cair?

A presidente Dilma Rousseff sancionou, na última segunda-feira (8), o decreto que zera a cobrança de PIS e Cofins para smartphones que custem até R$ 1,5 mil e para roteadores de até R$ 150. O corte das contribuições ao governo alcança apenas os produtos produzidos no Brasil. Dessa forma, modelos mais antigos de iPhones e smartphones de diversas fabricantes podem ter preço mais atrativo para o consumidor. Mas será mesmo que os aparelhos podem chegar mais baratos às lojas? O TechTudo tenta responder essa pergunta.

LG, Motorola e Sony lançaram smartphones no Brasil em março (Foto: Elson de Souza/Techtudo)
Smartphones fabricados no Brasil podem não ficar baratos (Foto: Elson de Souza/Techtudo)

Em primeiro lugar, mesmo com o corte do PIS e do Cofins em smartphones e roteadores, o preço final depende quase sempre das fabricantes. A carga tributária no Brasil é alta, mas diminuir seu peso não basta para tornar os produtos mais baratos no país.

Boa parte da culpa pelos altos valores praticados também é das companhias, que não diminuem o lucro por produto para incentivar suas vendas no Brasil. A outra parte da responsabilidade cai em cima dos próprios brasileiros. Com crédito e parcelamento fácil, as pessoas não deixam de consumir tecnologias que custam no mínimo duas vezes o valor praticado no comércio americano.

Esse tipo de mercado que paga muito acaba se tornando menos prioritário para grandes empresas de tecnologia. Portanto, ainda que o governo se esforce para diminuir o preço de celulares com conexão à Internet, o custo final alto fica por conta da baixa competitividade no Brasil e pela liderança dessas fabricantes pelo mundo, que são movidas pelo lucro e não para oferecer preços acessíveis. Exemplos não faltam.

A vinda da Foxconn para o Brasil

Não é a primeira vez que o governo Dilma tenta incentivar os preços baixos de smartphones e tablets no Brasil. Entre 2011 e 2012, a chinesa Foxconn recebeu incentivos para implantar uma unidade brasileira. Na época, a fabricante pediu redução do ICMS, desconto no IPTU e ajuda para tratar o lixo tóxico gerado por esse tipo de operação. Além disso, a Foxconn pediu um parceiro brasileiro para arcar com mais da metade dos aportes financeiros, calculados em US$ 4 bilhões (R$ 8 bilhões). A empresa teria também um empréstimo vindo do BNDES.

iPhone e iPad (Foto: Reprodução)
iPhones e iPads começaram a ser fabricados no Brasil, mas preços não caíram (Foto: Divulgação)

A fábrica da Foxconn de Jundiaí, com um bloco A voltado para produção de iPhones 4 e 4S e um bloco B focado na montagem de iPads, estreou em outubro de 2011. O preço dos produtos não foi alterado no mercado brasileiro, mesmo com a fabricação nacional dos dispositivos. Isso frustrou a previsão feita pelo então Ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, de que o iPad do Brasil poderia ser até 30% mais barato.

Atualmente, a unidade da empresa chinesa no Brasil tem cerca de dois mil funcionários e uma média salarial de R$ 1.150. Não bastasse a falta da redução prometida, os donos da companhia ainda são alvo de reclamações de empregados, que se queixam da remuneração oferecida. Em 2009, a Foxconn foi acusada de exploração de operários chineses, após o suicídio de 16 trabalhadores.

Nexus 4 sem subsídio no Brasil

Outro smartphone que decepcionou na chegada ao Brasil foi Nexus 4, lançado no dia 27 de março pelo preço de R$ 1.699. O aparelho com “Android puro” custa 2,4 vezes mais do que seu custo subsidiado pelo Google nos Estados Unidos. A própria empresa de buscas disse que o celular não é tão interessante para receber esse tipo de subsídio no Brasil.

Mesmo com esse preço caro, no próprio evento de lançamento, foi anunciado que sua empresa parceira, a LG, produziria o Nexus 4 no país. O TechTudo pode conferir, na traseira do smartphone, que o celular é sim produzido no Brasil, seguindo as normas da Anatel.

Traseira do Nexus 4 brasileiro (Foto: Pedro Zambarda/TechTudo)
Traseira do Nexus 4 brasileiro (Foto: Pedro Zambarda/TechTudo)

Com essa fabricação brasileira, nem as empresas envolvidas e nem o governo tomaram providências para abater o preço. Ainda assim, o Nexus 4 esgotou em seu dia de estreia no Brasil, mostrando que, mesmo com a falta de interesse dos envolvidos com os altos custos no país, a população continua consumindo.

Fonte: TechTudo

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